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Isomorfia entre a linguagem e a realidade em L.Wittgenstein.

Um dos aspectos fundamentais do Tractatus Logico-Philosophicus (TLP) de L. Wittgenstein (L.W) é a concepção pictórica da proposição. Para o filósofo, nossos pensamentos são expressos em forma de linguagem. A linguagem se expressa por meio de proposições. As proposições têm por função expressar os fatos por nós percebidos. Em outros termos, são nossas representações ou figuras lógicas dos fatos. A proposição é a imagem da realidade, a pintura dos fatos. Não só dos fatos atuais, mas de todos os fatos possíveis. Os fatos, no espaço lógico, são a totalidade do próprio mundo. Dessa forma, para L.W., o mundo só pode ser conhecido por meio da análise da linguagem. Assim, se toda a figura é uma representação da realidade, ela pode ser comparada com a realidade material de modo que possamos atribuir-lhe um valor de verdade ou falsidade. Tudo o que pode ser expresso por meio de uma proposição corresponde ao fato, aquilo que existe e está no domínio da realidade. No pensamento de L.W, do TLP,...

Filosofia da Linguagem: teorias da referência.

A referência pode ser conceituada como a relação que obtemos entre as expressões usadas por um falante e os objetos de quem essas expressões falam. Por exemplo, as expressões: “Vaclav Klaus é um Democrata” ou “A montanha de ouro está localizada na China”. No primeiro caso temos um nome próprio e sabemos que a expressão é verdadeira já que se refere a um indivíduo conhecido. No segundo, sabemos que não existe “montanha de ouro”, que é uma expressão chinesa que significa lugares que possuem muito ouro. Verificamos que, embora existam palavras referenciais em ambas as sentenças, a primeira se refere a objeto da realidade, a outra não. As grandes questões sobre referência podem, então, ser reduzidas a três: qual o mecanismo da referência?, qual a relação entre referência e significado? e qual a relação entre referência e verdade? No campo da filosofia da linguagem, as teorias da referência partem do princípio de que expressões de linguagem possuem determinados valores, os quais são atrib...

Filosofia da Linguagem x Ciências da Linguagem

Tanto a filosofia da linguagem como as ciências da linguagem tem por objeto de estudo a linguagem. No entanto há diferenças de abordagem entre os filósofos da linguagem e os cientistas. As ciências da linguagem, como a linguística, a psicolinguística, as neurociências, etc, estudam a linguagem em sua estrutura geral de signos enquanto ato genuinamente humano; o que ocorre com o nosso corpo quando nos comunicamos usando a linguagem; as relações entre a estrutura humana e a estrutura da linguagem; estuda, ainda, o funcionamento do processo de linguagem nos limites da própria estrutura da linguagem. A filosofia da linguagem, por sua vez, extrapola os limites estruturais da linguagem em busca de uma ótica da totalidade do objeto de estudo, a linguagem, e sua relação com outros objetos e com a própria realidade. Na investigação filosófica, a linguagem é considerada mais que uma forma de comunicação, mas sim um elemento a estruturar a própria relação do homem com a realidade, com o mundo. ...

Francis Bacon e a ciência como instrumento de tortura da natureza: críticas contemporâneas.

O objetivo do presente texto é, dentro de seus reduzidos limites, apresentar, de forma sintética, algumas críticas de autores contemporâneos ao modelo de ciência proposto por Francis Bacon em sua obra “Novum Organum”. O filósofo inglês Francis Bacon, juntamente com René Descartes, são, comumente, apontados como os fundadores de uma nova forma de refletir sobre os problemas teóricos mais fundamentais, dando início à filosofia moderna . (MARQUES e SELL, 2015, p. 10). Aqui vamos nos fixar, no entanto, apenas no pensamento de Bacon. Sua obra Novum Organum é parte de uma obra maior (inacabada), o Instauratio Magna, que é um ambicioso projeto de reforma do conhecimento humano e foi escrita em forma de aforismos. A partir de uma concepção pragmática da ciência, seu trabalho estava direcionado a substituir as antecipações do intelecto pelas interpretações da natureza. Para Bacon, a ciência antiga e a tradição escolástica, em especial, não traziam resultados práticos. Era necessário desenvol...

República de Platão, livro II: Os Guardiões e o papel da música e da literatura na sua formação.

No livro II da República de Platão, temos o diálogo entre Sócrates, Glauco e seu irmão Adimanto, onde, com o objetivo de investigar a natureza da justiça, Sócrates propõe a criação de uma cidade (Estado) imaginária. Essa cidade deve ser formada inicialmente com a finalidade de atender às necessidades básicas de seus cidadãos, por um lavrador (alimentação), um pedreiro (habitação), um tecelão, um sapateiro (vestuário) e outro artífice que se ocupe do que é relativo ao corpo, um médico. (MARQUES, 2012, p.94/95). Com o crescimento da cidade surgem novas necessidades, desta vez de artigos de luxo e cultura. O comércio intensifica-se e a guerra se torna uma possibilidade, tendo em vista a necessidade da expansão de suas terras ou a sua defesa contra os vizinhos. Há que se preparar uma nova classe de cidadãos encarregados da defesa e da administração da cidade, a qual Sócrates chama de classe dos guardiões. Os guardiões devem, assim como os demais artífices, se dedicar exclusivamente ao seu...

Sistema de Ensino Brasileiro: o fracasso é um projeto?

Apesar de várias e corajosas tentativas, nos últimos anos, de implantação de modelos pedagógicos de linha histórico-social no Brasil, como, por exemplo, no caso da Proposta Curricular de Santa Catarina para o ensino médio de 1998 (SANTA CATARINA, 1991), predomina, ainda, na educação do país a pedagogia liberal tecnicista. O resultado não é dos melhores. Estudos estatísticos demonstram que 27% da população brasileira, na faixa etária entre 15 e 64 anos, encontra-se numa situação de analfabetismo funcional. O analfabeto funcional sabe ler, escrever pequenos textos, porém não consegue interpretar o que lê, expressar-se minimamente por escrito ou realizar cálculos um pouco mais complexos. ( PIGNATO, 2016). E, ainda, o Brasil, em pesquisa realizada pela Consultoria sobre sistemas de ensino Economist Intelligence Unit, coloca-se em penúltimo lugar em um ranking sobre qualidade de ensino, num grupo de 40 países. (SOUZA, 2013). Quais as razões do baixo rendimento do nosso sistema educacional?...

Perspectivas Pedagógicas: Essencialismo, Naturalismo e Crítica histórico-social

Educação, de forma genérica, pode ser entendida como o ato de transmitir às novas gerações um determinado conjunto de valores e conhecimentos. Essa atividade educativa assume, em cada época e lugar, formas distintas. Podemos falar, assim, em diferentes pedagogias. Para compreendê-las há que se interpretá-las no seu contexto histórico e à luz dos valores e ideias que as fundamentam. Dessa maneira, na antiguidade, a pedagogia conhecida e utilizada pelos povos hindus, persas, chineses e egípcios era tradicionalista e consistia na transmissão de uma doutrina sagrada, cujo objetivo era orientar o jovem na busca da felicidade e da virtude. Na Grécia antiga, a educação como transmissão da cultura, da história e da religião era baseada na perspectiva mítica, sendo difundida através dos poemas de Homero (A Odisseia e A Ilíada). A passagem do mito à razão, através da reflexão filosófica, deu-se com os pensadores pré-socráticos e levou ao surgimento da primeira instituição de ensino com caracter...