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Filosofia da Linguagem x Ciências da Linguagem

Tanto a filosofia da linguagem como as ciências da linguagem tem por objeto de estudo a linguagem. No entanto há diferenças de abordagem entre os filósofos da linguagem e os cientistas. As ciências da linguagem, como a linguística, a psicolinguística, as neurociências, etc, estudam a linguagem em sua estrutura geral de signos enquanto ato genuinamente humano; o que ocorre com o nosso corpo quando nos comunicamos usando a linguagem; as relações entre a estrutura humana e a estrutura da linguagem; estuda, ainda, o funcionamento do processo de linguagem nos limites da própria estrutura da linguagem. A filosofia da linguagem, por sua vez, extrapola os limites estruturais da linguagem em busca de uma ótica da totalidade do objeto de estudo, a linguagem, e sua relação com outros objetos e com a própria realidade. Na investigação filosófica, a linguagem é considerada mais que uma forma de comunicação, mas sim um elemento a estruturar a própria relação do homem com a realidade, com o mundo. ...

Francis Bacon e a ciência como instrumento de tortura da natureza: críticas contemporâneas.

O objetivo do presente texto é, dentro de seus reduzidos limites, apresentar, de forma sintética, algumas críticas de autores contemporâneos ao modelo de ciência proposto por Francis Bacon em sua obra “Novum Organum”. O filósofo inglês Francis Bacon, juntamente com René Descartes, são, comumente, apontados como os fundadores de uma nova forma de refletir sobre os problemas teóricos mais fundamentais, dando início à filosofia moderna . (MARQUES e SELL, 2015, p. 10). Aqui vamos nos fixar, no entanto, apenas no pensamento de Bacon. Sua obra Novum Organum é parte de uma obra maior (inacabada), o Instauratio Magna, que é um ambicioso projeto de reforma do conhecimento humano e foi escrita em forma de aforismos. A partir de uma concepção pragmática da ciência, seu trabalho estava direcionado a substituir as antecipações do intelecto pelas interpretações da natureza. Para Bacon, a ciência antiga e a tradição escolástica, em especial, não traziam resultados práticos. Era necessário desenvol...

República de Platão, livro II: Os Guardiões e o papel da música e da literatura na sua formação.

No livro II da República de Platão, temos o diálogo entre Sócrates, Glauco e seu irmão Adimanto, onde, com o objetivo de investigar a natureza da justiça, Sócrates propõe a criação de uma cidade (Estado) imaginária. Essa cidade deve ser formada inicialmente com a finalidade de atender às necessidades básicas de seus cidadãos, por um lavrador (alimentação), um pedreiro (habitação), um tecelão, um sapateiro (vestuário) e outro artífice que se ocupe do que é relativo ao corpo, um médico. (MARQUES, 2012, p.94/95). Com o crescimento da cidade surgem novas necessidades, desta vez de artigos de luxo e cultura. O comércio intensifica-se e a guerra se torna uma possibilidade, tendo em vista a necessidade da expansão de suas terras ou a sua defesa contra os vizinhos. Há que se preparar uma nova classe de cidadãos encarregados da defesa e da administração da cidade, a qual Sócrates chama de classe dos guardiões. Os guardiões devem, assim como os demais artífices, se dedicar exclusivamente ao seu...

Sistema de Ensino Brasileiro: o fracasso é um projeto?

Apesar de várias e corajosas tentativas, nos últimos anos, de implantação de modelos pedagógicos de linha histórico-social no Brasil, como, por exemplo, no caso da Proposta Curricular de Santa Catarina para o ensino médio de 1998 (SANTA CATARINA, 1991), predomina, ainda, na educação do país a pedagogia liberal tecnicista. O resultado não é dos melhores. Estudos estatísticos demonstram que 27% da população brasileira, na faixa etária entre 15 e 64 anos, encontra-se numa situação de analfabetismo funcional. O analfabeto funcional sabe ler, escrever pequenos textos, porém não consegue interpretar o que lê, expressar-se minimamente por escrito ou realizar cálculos um pouco mais complexos. ( PIGNATO, 2016). E, ainda, o Brasil, em pesquisa realizada pela Consultoria sobre sistemas de ensino Economist Intelligence Unit, coloca-se em penúltimo lugar em um ranking sobre qualidade de ensino, num grupo de 40 países. (SOUZA, 2013). Quais as razões do baixo rendimento do nosso sistema educacional?...

Perspectivas Pedagógicas: Essencialismo, Naturalismo e Crítica histórico-social

Educação, de forma genérica, pode ser entendida como o ato de transmitir às novas gerações um determinado conjunto de valores e conhecimentos. Essa atividade educativa assume, em cada época e lugar, formas distintas. Podemos falar, assim, em diferentes pedagogias. Para compreendê-las há que se interpretá-las no seu contexto histórico e à luz dos valores e ideias que as fundamentam. Dessa maneira, na antiguidade, a pedagogia conhecida e utilizada pelos povos hindus, persas, chineses e egípcios era tradicionalista e consistia na transmissão de uma doutrina sagrada, cujo objetivo era orientar o jovem na busca da felicidade e da virtude. Na Grécia antiga, a educação como transmissão da cultura, da história e da religião era baseada na perspectiva mítica, sendo difundida através dos poemas de Homero (A Odisseia e A Ilíada). A passagem do mito à razão, através da reflexão filosófica, deu-se com os pensadores pré-socráticos e levou ao surgimento da primeira instituição de ensino com caracter...

Ética na Antiguidade: A transcendência platônica x a imanência aristotélica – uma breve síntese.

A ética de Platão é transcendente. Seu fundamento não se encontra na realidade empírica do mundo, das condutas ou das relações humanas, mas no mundo inteligível. O filósofo reflete sobre a idéia perfeita, justa e boa que organiza a sociedade e orienta a conduta humana. A idéia suprema é o bem, de onde derivam todas as outras. Para o filósofo, a sociedade divide-se em três classes (filósofos, guerreiros e operários) e a justiça é definida quando cada cidadão faz o que lhe compete, de acordo com suas aptidões, gerando equilíbrio tanto do indivíduo quanto da própria sociedade. Em Platão, só ao justo seria possível a felicidade. A finalidade da pólis justa é permitir ao indivíduo praticar as suas virtudes e as suas aptidões propiciando a felicidade de todos. A ética de Aristóteles, ao contrário, é imanente. Baseia-se na realidade empírica do mundo,  na reflexão acerca das condutas humanas e na organização da sociedade. A realidade do indivíduo e a vida na pólis são responsáveis pela...

Relações entre a filosofia grega pagã e a filosofia cristã da Idade Média.

                O Cristianismo tem início com as pregações de Jesus de Nazaré, que versavam sobre virtudes como o amor ao próximo, o desapego a bens materiais, prevalência da vida eterna pós-morte à vida terrena, entre outras. Jesus não deixou obra escrita, pregou diretamente para os humildes. Coube aos seus discípulos a difusão de suas idéias que passaram a penetrar em áreas geográficas cada vez maiores, abrangendo diversas culturas, como a grega, a egípcia e a latina (romana). Línguas diferentes. Culturas pagãs e politeístas, em sua maioria.             Com o crescimento do número de cristãos, inicialmente oriundos de classes sociais inferiores, passou a haver um confronto de culturas e de visão de mundo. Fé versus razão. Politeísmo versus monoteísmo. Cristãos versus pagãos. Esse confronto resultou na perseguição dos cristãos, que passaram a ser massacrados, inclusive nas arenas romanas,...